Rumo ao Estado policial

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Se o Brasil ainda não pode ser considerado um Estado policial estamos certamente caminhando para isso.

Um Estado onde a ação da polícia não encontra limites. Um Estado em que espionar, prender, coagir, chantagear, torturar, mentir, manipular torna-se prática considerada legal desde que respaldada por uma “causa” supostamente legítima. Sendo legítima a causa propagandeada pelo monopólio da imprensa que neste momento seria o combate ao mal maior que é a corrupção. Causa que esteve e está historicamente ligada a arbitrariedades cujo destino é o golpe de Estado.

O exemplo da Lava Jato

A República do Paraná virou exemplo para o resto do País. Em todos os lugares as operações policiais e os processos judiciais se aproximam mais dos abusos cometidos por Sérgio Moro, a Polícia Federal e o Ministério Público do Paraná.

A espetaculização dos processos e das ações também foram aprendidas. Estamos diante do Estado policial que tudo pode e é respaldado por uma imprensa controlada pela direita a serviço do imperialismo. Com direito a criação de heróis nacionais, operações espetáculo com transmissão ao vivo e vazamentos selecionados, delação premiada, domínio do fato, fim ao direito de defesa e da presunção de inocência.

Feita a escola, tem notório destaque na imprensa capitalista as Operações com o mesmo repertório da Lava Jato e que prometem dar continuidade às perseguições iniciadas por ela. Três novas operações já estão sendo comemoradas: Cratons, O Recebedor e Custo Brasil. “É para isso que estamos trabalhando, para que o exemplo da Lava Jato se torne corriqueiro”, diz o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

A perseguição como espetáculo para uma imprensa a serviço da direita

Como nada acontece por acaso, texto de Alan Gripp, editor de País do jornal O Globo, mostra as relações íntimas desse novo poder que vai se consolidando e a imprensa capitalista, aliada com a qual o Estado policial pode sempre contar.

Segundo Alan Gripp, jornalistas “tarimbados” percorreram “o Brasil para treinar procuradores que, em sua maioria, acreditavam que a melhor política era o silêncio. Eles foram instruídos a trocar termos jurídicos por palavras de fácil compreensão, a explicar didaticamente o conjunto de evidências colhidas e a lidar com todo o potencial das mídias digitais.

“Uma regra passou a ser religiosa: anúncios importantes jamais devem ser feitos em entrevistas individuais. Em grandes operações, se possível, as entrevistas são compostas por ao menos um procurador, um delegado da PF e um representante da Receita Federal.

“Além de evitar crises de ciúmes, a ideia é demostrar unidade e dar peso às revelações.

“A primeira vez que se viu esse pacote bem embalado foi na ‘República de Curitiba’. Mas o ‘padrão Lava- Jato’ se espalhou pelo país”.

O caso mais recente foi a Operação Custo Brasil que levou à prisão Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff e marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). No despacho o juiz Paulo Bueno Azevedo, da 6ª Vara Federal de São Paulo disse que a democracia não pode mais conviver com processos secretos. A operação acontece no momento em que o impeachment está para ser julgado no Senado Federal.

Justiça fascista

Para completar temos como ministro da Justiça do governo golpista Alexandre de Moraes; o ministro fascista.

Mal havia assumido o cargo de ministro o ex-secretário de Justiça de São Paulo, do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), declarou que manifestações precisam ser controladas e comparou ações do movimento popular organizado com atos de guerrilha.

Em São Paulo autorizou e defendeu todo tipo de ação repressiva e violenta da polícia, desde os chamados “autos de resistência” (nome dado aos casos em que a Polícia mata e no relatório policial justifica a morte como legítima defesa) até ações contra manifestações, como as que ocorreram contra os jovens estudantes secundaristas que ocuparam escolas de São Paulo no final de 2015.

Com o fascista no comando fica legalizado todo abuso e arbitrariedade; a perseguição política se torna regra; e a manipulação das massas ocorre com as mentira contadas pela imprensa burguesa.

Direitos e garantias alienadas, fim das liberdades democráticas, do Estado de Direito; vigilância; o cidadão que atua contra ele mesmo; controle absoluto da imprensa, censura; repressão por todos os meios necessários. A democracia brasileira nunca foi uma verdadeira democracia. Com o golpe mesmo essa democracia de fachada é jogada pelo ralo. O País se aproxima cada vez mais da ditadura; o Estado nacional vai ganhando contornos cada vez mais definidos de Estado Policial contra a população.

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