Diretoria transforma ANDES em auxiliar do golpe

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Antonio Eduardo Alves de Oliveira

No confronto entre o governo Dilma e os golpistas da direita reacionária, a diretoria do ANDES-SN, jogando no lixo a história de um sindicato que surgiu da luta contra a ditadura militar, resolveu, à revelia da sua base, adotar a política golpista do PSTU/CSP de “construção do terceiro campo”, uma maneira tinhosa de defender o golpe. No congresso do ANDES-SN, a diretoria, de maneira antidemocrática, sustou qualquer discussão política sobre a conjuntura nacional e se negou a lutar contra o golpe, e até mesmo de aprovar mesmo uma qualquer resolução vaga de defesa da democracia e mesmo contra o ajuste fiscal.

É importante assinalar que a diretoria do ANDES-SN durante toda a crise política tem se recusado terminantemente a fazer até mesmo um debate sobre a situação política, afirmando que “não existe golpe” e que “são todos iguais”, que as ações reacionárias da direita não devem ser combatidas, pois é uma disputa interburguesa entre “governistas” e a oposição de direita, e que o eixo do sindicato dever ser a defesa abstrata da “educação pública”.

O agravamento da crise política, com o golpe saindo da possibilidade para efetivamente se colocar em marcha, como podemos comprovar com a condução coercitiva do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e a divulgação ilegal dos grampos, bem como a intensificação da ofensiva via TV Globo, judiciário e Polícia Federal, desmontou completamente as supostas avaliações da “intelectualidade radical” que dirige o ANDES-SN, formada pela esquerda pequeno burguesa, PSOL, PCB, e agora uma velha novidade é o retorno do defensor do Fora Dilma, PSTU, o que mostra profundo retrocesso do nosso sindicato, que se transformou em mero aparelho dos “esquerdistas” nos discursos e direitistas na política e na condução do sindicato.

A diretoria do ANDES-SN, totalmente subserviente ao sectarismo do PSTU/CSP, que na prática é uma linha auxiliar da direita reacionária, não somente não procura rever essa política como, para consternação da sua base, passa a agir com grupelhos políticos pela derrubada do governo, favorecendo objetivamente a direita. Como sempre, a diretoria do ANDES-SN e seus apoiadores “radicais” e “marxistas acadêmicos” vão condenar esta avaliação, pois são todos melindrosos e vão se sentir ultrajados e até mesmo caluniados. Então vamos apresentar as provas de que a diretoria do ANDES-SN está levando o sindicato nacional para uma política de apoio escamoteado aos golpistas.

Participar dos atos da mentira junto com outros setores do “espaço da unidade da ação”, que tem como eixo a política disfarçada do PSTU de “Fora todos” com o eufemismo do “contra todos”, já é uma evidência por si mesmo. É importante assinalar que o “Fora todos”, quando somente o governo Dilma está na berlinda, é mais um “aplique” do PSTU e dos pseudo ultrarradicais para fazer o jogo sujo da direita, e ainda usando da fachada cínica que somente o terceiro campo é de esquerda, que devemos combater os “governistas”, ou seja, nenhuma frente prática contra a direita, em nome de uma imaginária “pureza radical”.

Na marcha do terceiro campo, que o ANDES-SN participou no ano passado, denunciei publicamente que haveria grupos da direita da GGTB e do PPL (que, inclusive, tem como filiada ilustre nada menos que a vice-prefeita Célia Sacramento, de ACM Neto, em Salvador) que defendia abertamente a derrubada do Governo e o Fora Dilma. Na ocasião, o PSTU ainda não tinha assumido claramente a sua posição golpista do Fora Dilma. Assim, a palavra de ordem era Abaixo o governo Dilma. Os pequenos burgueses cheios de ética e bons costumes tentavam engabelar os desavisados, sendo que os “inocentes” do ANDES-SN abandonaram a greve da categoria para embarcar nesta aventura.

No final das contas, diante da repercussão negativa, tiveram que desconvidar o amigo oculto de direita na véspera da marcha, mas mantiveram a mesma política de direita dos ex- parceiros porque, afinal, a política era do próprio PSTU.

Agora, com a ofensiva da direita e a realização do ato dia 13 da direita golpista e do dia 18 da CUT, MST, MTST e outros movimentos sociais contra o golpe, o PSTU/CSP, que defende abertamente a derrubada do governo e convocação de novas eleições (por sinal junto com a Marina Silva, Luciana Genro e Aécio Neves), ou seja, um golpe em nome da democracia, resolveu ativar novamente a política do “terceiro ato independente”, mas, dessa feita, a diretoria do ANDES-SN não poderá alegar que não sabia que havia setores que defendem o golpe e o Fora Dilma, pois o próprio principal promotor do evento defende a derrubada do governo.

Como a onda agora é usar o juridiquês, a diretoria do ANDES-SN pode alegar que, tecnicamente, a convocação do ato da mentira (1º de abril), por sinal, bem apropriado para a política do ANDES-SN, é organizada pelo espaço unidade de ação que tem como chamada “Nossa Luta É Contra Dilma/PT, Cunha, Temer E Renan/PMDB E Aécio E Alckmin/PSDB!” .

A diretoria do ANDES-SN assinou essa convocatória com essa chamada construída com os participantes do Espaço Unidade de ação, que não pode ser responsabilizada pela política geral do PSTU. É obvio que a colocação é mais uma grotesca picaretagem política, como já mencionei em outras ocasiões, é a falácia da esquerda pequeno burguesa (PSOL e PSTU), do que importa é o que está escrito na convocatória do ato, ou seja, como se diz no jogo do Bicho, vale o que está escrito.

Mas todo mundo sabe que o eixo orientador do dia mentira é a defesa da derrubada do governo, um coxinhaço de camisas vermelhas e verdes. Por sinal, basta mencionar a Carta Aberta da Unidade Classista à CSP Conlutas) Nem fica, nem fora Dilma: fora o capitalismo!, que exigiu que fosse retirada da convocatória do dia 1 de abril a assinatura da Unidade Classista, pois a mesma apontava para a queda do governo.

Entretanto, vou ceder, parcialmente, aos apelos do que vale é o que está escrito na convocatória, para não parecer que estou fazendo um pandemônio, buscando, como se diz no popular, chifre na cabeça de cavalo, apenas para azucrinar os “combativos” participantes da marcha da mentira. Poderia até mesmo ser acusado de mentira ao denunciar sem provas os lutadores de 1º de abril. Então, peço licença ao leitor para citar o documento Declaração Política da plenária sindical e popular do espaço de unidade de ação do dia 22 de janeiro de 2016, ou seja, depois da abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma.

Primeiramente, a plenária, contra todas as evidências, nega a existência do golpe, com o surrado argumento que é uma invenção dos governistas.

“Mas, da mesma forma não é correto para a defesa dos interesses de nossa classe aplicar uma política de engano, alardeando um suposto golpe contra Dilma, como forma de camuflar a defesa da continuidade de um governo que ataca os direitos.” http://cspconlutas.org.br/…/confira-a-declaracao-politica-da plenaria-convocada-pelo-espaco-de-unidade-de-acao-no-dia-221/

Qual a política apontada na Plenária? Lutar contra a direita e defender a democracia? Não! Nada disso.

As entidades do espaço construído pelo PSTU/CSP buscam monitorar a situação política, e caso acontecesse uma intensa mobilização política e uma polarização política entre os golpistas e os contrários ao golpe, a plenária, contrariando inclusive a previsão de que nada vai acontecer, apresenta a requentada e oportunista política de nem um nem outro, ou seja, uma suposta neutralidade política para a construção de uma “saída à esquerda”, uma vez que todos são iguais.

O objetivo do espaço unidade de ação é justamente quebrar a unidade dos trabalhadores contra o golpe, o divisionismo é marca do sectarismo do PSTU e sua central sindical, e sua função é, em todas as ocasiões, em nome de uma suposta combatividade enfraquecer qualquer resistência aos golpistas. O cálculo mesquinho dos morenistas é acreditar que eles serão os beneficiados com a queda do governo, fortalecendo o polo de esquerda, quando, na verdade, o ataque da direita é contra todos os setores dos trabalhadores e do movimento popular no seu conjunto.

Somente a mente obtusa do sectarismo retórico da CSP/PSTU pode acreditar que os trabalhadores possam ser favorecidos com a queda do governo. Neste sentido, a noção de que é possível derrubar todo mundo ao mesmo tempo é uma insanidade política. Acreditar que através de eleições em todos os níveis quem ganhará será a esquerda e, até mesmo, pasmem, eleger um governo socialista formado por conselhos dos trabalhadores não é somente uma ilusão totalmente fora da realidade, como é um delírio ultraesquerdista que favorece de maneira clara a direita.
Insisto mais uma vez, com a queda do governo Dilma, somente a direita pode efetivamente chegar ao poder, por isso, independente dos xingamentos contra os governistas reais ou inventados e dos inflamados discursos do PSTU/CSP/Diretoria do ANDES-SN, o ato da mentira não é a criação de um polo independente, mas é efetivamente um instrumento para enfraquecer a luta unitária contra o golpe. Nesse sentido, a terceira via do 1º de abril do PSTU e dos seus satélites (como a diretoria do ANDES-SN) é exatamente o que a data simboliza, é uma mentira deslavada, uma grande fraude política.

Assim, como um vampiro das lutas sociais, caso a CUT, o MST e os governistas reajam ao golpe, a política da esquerda pequeno burguesa é dividir o movimento contra o golpe e buscar manter as aparências de que eles são contra todos e são os únicos portadores dos interesses dos trabalhadores. Na verdade, é uma política ultrasectária de não fazer frente contra os golpistas para, em nome de que somente eles são esquerda, não se importando em fazer frente efetivamente com a direita para derrubar o governo.

“Nesse sentido, a Plenária Sindical e Popular aponta a necessidade de realização de uma nova manifestação nacional, buscando ampliar a presença dos setores sindicais e populares e da esquerda socialista, ainda no primeiro semestre deste ano. A data e local serão definidos à luz dos desdobramentos da realidade política e econômica do país.”

Esta é origem do dia da mentira do PSTU/CSP, que a diretoria do ANDES-SN alegremente impulsiona, não lutar contra o golpe e criar um mecanismo de constrangimento político para quem lutar contra os golpistas. Participar nos atos da CUT no dia 18 contra os atos da direita tornaria o cidadão responsável por tudo de ruim que governo faz. A esquerda pequeno burguesa e a diretoria do ANDES-SN não conseguem, por oportunismo, entender que a luta contra o golpe é algo fundamental, inclusive para a defesa dos interesses da educação. Caso o golpe seja derrotado nas ruas, abre-se uma nova etapa de luta para os trabalhadores, a vitória da direita e derrubada do governo em nada beneficiará os trabalhadores.

O Espaço unidade da ação é uma espaço fantasma criado para defender uma política sectária no interior do movimento dos trabalhadores. Na marcha do ano passado tinha setores de direita que defendia o golpe, e agora tem setores de ultraesquerda (tendências do PSOL, PSTU) que defendem o Fora Dilma, no momento que somente a direita pode ser favorecida.

O sindicato nacional dos docentes fazendo frente política com aqueles que defendem o Fora Dilma é o verdadeiro caráter do dia da mentira. Mais mais uma vez, a diretoria do ANDES-SN pode alegar que não pode ser responsabilizada pelo que os parceiros grupelhos que favorece a direita têm publicado ou feito. Mas vejamos o que diz o relatório da plenária do espaço unidade da ação com a presença do ANDES-SN:

“Nós estamos pela saída de Dilma, pela mobilização dos trabalhadores, e também pela saída do Cunha.” http://cspconlutas.org.br/…/confira-a-declaracao-politica-…/

Fica a pergunta: Em qual congresso do sindicato nacional foi aprovado que o ANDES-SN é pela saída de Dilma? O fato da diretoria do ANDES-SN fazer parte desse movimento expresso neste relatório mostra que o nosso sindicato deixou de ser um sindicato de luta, para se transformar em um instrumento dos golpistas. Essa política da diretoria do ANDES-SN é, sem dúvida, classista, ou seja, defende os interesses mais reacionários da burguesia. A direção da esquerda pequeno burguesa seguindo caninamente o CST/PSTU está liquidando o sindicato nacional.

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