Vox Populi

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Rui Costa Pimenta

colunistas rui 3O ato do dia 13 de março foi uma farsa e uma fraude. A grande burguesia, utilizando-se de todos os seus recursos financeiros e do aparelho do Estado, dos seus funcionários e da sua máquina monstruosa e sinistra de propaganda política procurou impingir ao País uma manifestação da classe superior, encenada, artificial e manipulada como sendo a vontade popular.

Em meio a uma massa inerte de conservadores ignorantes e despolitizados, uma minoria histérica executava seus tradicionais pantomimas fascistas.

Utilizando-se ditatorialmente de concessões públicas a que não têm direito algum, meia dúzia de grandes capitalistas, no comando de profissionais de imprensa que vendem a sua alma ao invés da sua força de trabalho, criaram desta matéria prima sem nenhum valor, um fato político monumental para intimidar o povo e levar a cabo a etapa final do golpe de Estado que estão preparando desde 2012.

Os atos de ontem, particularmente o de S. Paulo, – cidade considerada por muitos dos hipnotizados pela máquina de propaganda totalitária do monopólio capitalista da imprensa como a “capital coxinha do Brasil” – no entanto, desmascarou completamente a farsa realizada no dia 13.

A maré humana que tomou conta da Av. Paulista e de todas as capitais brasileiras, foi um espetáculo majestoso como poucos. O povo comum, trabalhadores, estudantes, trabalhadores do campo e outros formaram uma massa compacta superior em número ao evento empresarial e fascista e infinitamente superior pela sua composição. Em oposição à mistura de classe média atrasada e confusa e classe média histérica fascista com grande composição de empresários de carne e osso, saíram às ruas ontem movimentos sociais, lideranças sindicais e uma enorme multidão politizada que acorreu, desta vez sim, espontaneamente para se opor ao golpe de Estado em curso.

O poder destas manifestações ficou patente em tudo. Na imprensa golpista, que se retraiu como uma cobra ameaçada da sua truculenta agitação contra o governo e na própria intervenção do principal orador que deixou clara a sua intenção de não acrescentar muita lenha da fogueira, porque a fogueira já está ficando bastante alta. A moderação de Lula, que evidentemente engolia as palavras para não desatar um ataque violento contra os golpistas, mostra o extraordinário poder que os golpistas colocaram em marcha.

Mais ainda, S. Paulo é o centro do furacão da luta de classes no país e mostrou a força do povo na luta contra a burguesia golpista.

Como se diz, vox populi, vox dei.

Vox dei. Será ouvida a “voz das ruas” como pediu o juiz conspirador e fora da lei Sérgio Moro depois do ato do dia 13 que pedia o golpe, contando com o ovo ainda dentro da galinha?

Um importante porta-voz do capital financeiro mundial, a revista The Economist, que apoia com todo seu negro coração o golpe de Estado no Brasil advertiu. com o habitual realismo dos grandes capitalistas, que a tentativa de derrubar o governo poderá provocar o caos no País e que os que passeadores domingueiros da Av. Paulista não são nada perto das organizações sociais e da massa antigolpe. Estão certos e, de longe, advertem a direita brasileira e seus mentores internacionais do perigo. O discurso de Lula também não foi uma ameaça mas uma advertência.

Resta a pergunta: os golpistas brasileiros e seus mentores do imperialismo mundial vão ouvir tais advertências?

Esta pergunta deve ser respondida categoricamente com um não. O impeachment vai progredir e também a conspiração dentro do Executivo, do Judiciário e do Congresso contra o governo. Advertências de nada adiantam diante dos interesses de classe em conflito.

É preciso levar o embate à ruas e mostrar que o golpe de Estado se defrontará com uma séria resistência popular. E não apenas mostrar, mas preparar de modo consciente o desenlace. Toda vez que são favorecidos com tais demonstrações, os líderes petistas e ligados ao governo costumam colocar o boi para pastar e descansam em uma ilusória tranquilidade até a próxima tempestade desabar sobre as suas cabeças.

A única via para derrotar o golpe é o aumento da mobilização popular e a derrota dos golpistas tal como aconteceu na Venezuela em 2002. Caso contrário, conheceremos a repetição de outras datas funestas como 1954 e 1964.

As organizações, lideranças e militantes que lutam contra o golpe. Os centenas e centenas de milhares que saíram às ruas têm que intensificar a mobilização, decretar no País um estado de mobilização permanente contra o golpe, fazer de cada organização operária e popular, de cada local de trabalho, moradia e estudo uma barricada na luta contra o golpe e mobilizar ainda mais amplamente.

O ato de ontem foi um passo, mas não o final da história do golpe. Foi uma enorme mobilização popular, mas os principais destacamentos, ou seja, a classe trabalhadora organizada pelos sindicatos e os não organizados, ainda não se mobilizaram de fato, exceto a sua camada superior. Esta é a próxima etapa. Devemos ir a ela determinada e conscientemente.

Os golpistas e fascistas são minoria, apesar do grande aparato publicitário, governamental e do dinheiro detrás deles. Mas a maioria não é maioria de fato apenas por um número e sim pela ação.

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