Uma manifestação de classe… burguesa

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Qualquer ser humano normal acha incrível como as manifestações golpistas conseguem reunir tanta gente em um País pobre e negro como o Brasil sem que haja negros e pobres. É incrível, mas as imagens não mentem. Os números de manifestantes divulgados pela burguesia são inchados, mas não há dúvida que os coxinhatos reúnem milhares de pessoas. Se acreditarmos nos números divulgados pela burguesia, ou seja, de que meio milhão esteve só na avenida Paulista e que mais de um milhão de pessoas estiveram no País todo, a falta de cidadãos pobres e negros nos atos fica ainda mais surpreendente.

É preciso tirar conclusões dessa constatação que, de tão gritante, nem mesmo a imprensa capitalista e os institutos de pesquisa da direita conseguem esconder. Em primeiro lugar, os coxinhatos revelam que o antagonismo social no Brasil é gigantesco. O muro que separa a burguesia e a classe média alta dos trabalhadores é enorme. Em segundo lugar, e que decorre dessa constatação, é a extrema impopularidade da direita brasileira.

Mesmo com toda a propaganda dos grandes meios de comunicação, todas as TVs e jornais não só divulgaram o ato mas convocaram as pessoas a comparecerem. Mesmo com o apoio explícito do governo de São Paulo e demais governos estaduais e municipais, dos partidos burgueses e de grandes empresas. Mesmo com todo o aparato da burguesia, a direita simplesmente não consegue mobilizar o povo. Não conseguiu ultrapassar os limites dos outros atos e não levaram para a rua além da própria burguesia e da classe média alta.

Esse ato do dia 13 foi ainda mais claramente burguês. Até mesmo a imprensa capitalista não conseguiu esconder o óbvio. Desde os primeiros atos, pesquisas sobre o conteúdo social das manifestações mostram que metade dos presentes tem renda superior a 8 mil reais, que metade dos manifestantes eram brancos e que a esmagadora maioria tinha ensino superior completo.

Fica muito claro que o trabalhador, hipnotizado ou não com a propaganda da imprensa golpista, não só não adere aos coxinhatos como nem passa perto deles.

No ato desse dia 13 foi ainda mais gritante a presença empresarial. Grandes empresas como a lanchonete Habib’s e a loja de departamento Riachuelo fizeram campanha aberta pelo ato. A FIESP que já havia se manifestado das outras vezes, dessa vez foi mais enfática em convocar e apoiar o ato, assim como a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo que também convocou o coxinhato.

Foi uma manifestação produzida e convocado nos escritórios das empresas. Uma “mobilização” empresarial, ou seja, burguesa, com a participação da classe média alta que faz parte daquela camada de funcionários administrativos dessas empresas, que os trabalhadores conhecem muito bem como os puxa sacos dos patrões.

Tudo assim ainda foi regado com passagens ridículas como a distribuição de abadás pelo Solidariedade de Paulinho da Força e por áreas vips para organizadores e políticos da direita como Ronaldo Caiado, do DEM.

Ficou claro que, embora as manifestação serão usadas para o dar a falsa ideia de amplo apoio ao golpe, não há verdadeiro apoio popular, que é fundamental para o sucesso de qualquer iniciativa política. A burguesia, embora cínica em sua imprensa para ignorar esse fato, sabe que sua incapacidade para mobilização popular é o maior obstáculo que enfrenta desde o início.

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