Durante aula magna, alunos protestam por cotas raciais

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Governo Alckmin é o responsável pelo racismo na universidade

Durante uma aula magna na Universidade de São Paulo, realizada no último dia 17 de fevereiro, alunos negros se manifestaram impedindo a realização da aula, em protesto por cotas raciais na universidade.

A USP é uma das universidades mais resistentes para adotar a política de cotas raciais. Em determinados cursos é quase impossível localizar alunos negros, a contagem se dá em uma das mãos.

Essa resistência é fruto da gestão da universidade, que está nas mãos de uma reitoria direitista, como sempre esteve. E também completamente controlada pelo governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, famoso pela repressão à professores, alunos e abertamente contra a presença de negros no ensino superior.

Diante dessa manifestação dos estudantes, Alceu Luís Castilho redigiu um texto, chamado “Ativistas calam José de Souza Martins na USP”, criticando a ação dos alunos pois a aula magna que foi palco de manifestação foi ministrada pelo professor José de Souza Martins.

Martins é reconhecido pelo estudo sobre os linchamentos que estão ocorrendo diariamente contra a população negra e pobre, além de ser autor de diversos estudos sobre a escravidão do povo negro.

Castilho critica a manifestação dos estudantes como autoritária, que repete os métodos da direita. E que o professor que estava na sala de aula, por conta de seu histórico, “não poderia ser calado”.

O problema é que protesto é protesto.

Os alunos estão no mais legítimo direito de protestar, da maneira que for, contra o racismo descarado que é a composição discente da universidade. Outras universidades, diante do problema, adotaram cotas raciais, já que só a cota social não resolve a questão. Na USP a medida passa ao largo de ser adotada.

Por outro lado, é que não interessa que professor está ministrando a “aula magna”. Se ele é favorável à luta do negro para o ingresso no ensino superior, ele que se junte à manifestação, apoie, etc. Não pode existir essa questão de professor imune aos protestos estudantis.

Esse tipo de manifestação acontece praticamente todo início de ano letivo. Mas, sua característica mais comum é o sectarismo, já que visa “denunciar” todos os brancos que ali estão como responsáveis pelo racismo no país e na universidade, e certamente não vai resolver o problema.

Para que as cotas raciais sejam aplicadas na USP é necessária uma grande mobilização em torno desse direito, com todos os alunos que defendem a medida, e que ataque frontalmente o governo do estado, que é o verdadeiro responsável pelo racismo na universidade.

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