Filme sobre a libertação de Angola gera controvérsias em Berlim

Compartilhar:

“Cartas da Guerra”, do diretor português Ivo M. Ferreira, dividiu opiniões em Berlim

 

No último domingo, dia 14, foi exibido, na competição principal do 66º Festival de Berlim o filme português “Cartas da Guerra”. O longa metragem do diretor Ivo M. Ferreira conta, por meio de cartas entre um escritor e sua esposa, o processo que levou à libertação de Angola na década de 1970.

A história do filme é verídica, baseada na troca de cartas do escritor português Antônio Lobo Antunes que serviu na guerra como médico voluntário. Ele trocou cartas com a \

‘];[esposa, Maria José, durante o período que esteve no conflito armado que resultou na libertação do povo angolano das garras coloniais de Portugal. Antônio Lobo Antunes é escritor português de obras como "Os cus de Judas” e "Boa Tarde às Coisas Aqui Embaixo”. No filme é interpretado pelo ator da televisão portuguesa, Miguel Nunes. No Elenco ainda há a atriz, e esposa do cineasta, Margarida Vila­Nova, que faz a esposa do escritor que lê as cartas que ilustram a narrativa de "Cartas da Guerra”. Há também Ricardo Pereira, ator português que já trabalhou na televisão brasileira e que interpreta um major progressista.

O cineasta português Ivo M. Ferreira fez uma adaptação dessa correspondência com fotografia em preto e branco e narração em off para descrever as angústias do escritor e aspirante a médico em meio à guerra sangrenta entre Portugal e Angola. Apesar de estar no front, em meio a um conflito extremamente violento, o filme foca em momentos de pouca ação.

A repercussão entre a imprensa e o público no festival foi pouca. Nada além do chamado "protocolo”. Houve aplausos ao final da sessão, mas pouca presença na coletiva de imprensa após a exibição do filme. Já as críticas ficaram um pouco divididas. Alguns críticos europeus acharam o filme "belo e lírico” enquanto que a imprensa africana e portuguesa não gostaram por motivos diferentes.

Os portugueses esperavam um filme mais movimentado com menos narração em off e mais ação, pois, o ator principal e os demais personagens aparecem no filme em momentos em que conversam, fumam, jogam xadrez etc. Já a imprensa africana reclamou da falta do retrato sangrento que foi o conflito, pois em momento algum do filme o exército português aparece massacrando os angolanos, uma característica marcante e bastante presente das guerras imperialistas contra as colônias.

Em contrapartida, o diretor se defendeu dizendo que este é um filme "de amor” e não de "tragédia”.

"Cartas da Guerra” concorre com outras 17 produções estrangeiras no Festival de Berlim no qual o júri presidido pela atriz Meryl Streep vai anunciar o vencedor do Urso de Ouro no  próximo dia 20 de fevereiro.

Assista o trailler de "Cartas da Guerra”

[vsw id=”https://youtu.be/9PztN8cCy0w” source=”youtube” width=”425" height=”344" autoplay=”no”]

artigo Anterior

PSDB quer Estatais S.A. para privatizar tudo

Próximo artigo

Um cataclismo chamado Dadá

Leia mais

Deixe uma resposta