Articulista do PCO é mediador na rebelião no Amazonas

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Luís Carlos Valois é Juiz de direito, é mestre e doutor em criminologia pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. É também membro da Associação de Juízes para Democracia e porta-voz da Law Enforcement Against Prohibition (Agentes da Lei Contra a Proibição) – LEAP e escreve regularmente para o Diário Causa Operária Online.

Valois, no dia 1º desse mês, foi chamado pelo próprio Secretário de Segurança do Amazonas para negociar e ajudar a salvar dez funcionários do Estado, reféns dos presos da rebelião. Ele comentou que a principal preocupação dos detentos era a manutenção da integridade física deles.

Em sua página no Facebook, o juiz revelou que foi procurado pelo Estadão, realizou uma entrevista por 20 minutos e logo após foi publicada uma matéria com nenhuma linha do que ele disse publicada. O jornal golpista, publicou, um texto editado de maneira a insinuar que Valois tem conexão com traficantes da Família do Norte, uma facção que pode estar por trás do massacre que ocorreu, e que resultou em 56 mortes no último domingo (1).

A reportagem, deu amplo espaço a dados de uma operação deflagrada pela Polícia Federal em 2015 contra a Família do Norte e que, em junho de 2016, chegou a alguns membros do Judiciário amazonense. Valois estava entre os magistrados e advogados que foram alvo de pedidos de busca e apreensão. Ele é citado por um dos cabeças da Família do Norte e uma advogada num contexto em que não é possível cravar conexão entre as partes.

Valois é conhecido no Amazonas por suas posições progressistas no Direito, em especial na defesa dos direitos dos presos, que contrariam o chamado populismo penal. Segundo uma jornalista de Manaus dedicada à cobertura da política local, Valois é uma pessoa séria em suas convicções. “Ele defende os direitos dos apenados e sempre que ocorre algo que foge do normal em um presídio ele se coloca à disposição para ajudar a negociar”, disse.

Outro jornalista da capital amazonense afirma que a defesa dos direitos dos presos é só um dos fatores que gera resistência a Valois no Judiciário local. “Ele fez doutorado pesquisando o Direito Penal do combate às drogas e se posiciona de forma contrária às políticas e leis de combate ao tráfico como existem atualmente”. “Então para a mídia mainstream amazonense Valois sempre é pintado como maconheiro e associado a bandidos, porque ele ‘defende criminosos'”, afirmou.

Aqui é importante destacar que se até os juízes estão sendo perseguidos e tendo seus direitos ameaçados, o que poderá acontecer ao cidadão comum caso o golpe de Estado se consolide e a direita continue avançando?

Trata-se de uma perseguição política aos setores mais progressistas que se encontram no lado esquerdo do espectro político, que se posicionam contra o sistema e criticam os rumos do Judiciário do qual fazem parte.

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