Ainda bem que eram brancos…

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Juliano Lopes

Um episódio nas Olimpíadas realizadas no Rio de Janeiro mostrou como a imprensa e a justiça tratam brancos e negros de maneira completamente diferente.

Nadadores dos Estados Unidos, da equipe do bajulado Michael Phelps, se envolveram em uma baixaria clássica: o nadador Lochte, para esconder da namorada uma noite de farra, se deu o trabalho de enrolar a polícia e dizer que havia sido roubado por assaltantes da cidade. Uma história bem típica de playboyzinhos brancos e mimados, que, por uma mesquinharia, são capazes de colocar o mundo abaixo.

A história não colou na delegacia, que, ao final de algumas perguntas, chegou à conclusão de que a história dos nadadores foi inventada. Depois disso, os nadadores pediram desculpas e, em acordo com os investigadores, foram liberados sem maiores problemas. Agora, e se fossem negros?

Se fosse um atleta negro que tivesse inventado uma história dessas, em primeiro lugar teria sido preso na delegacia antes mesmo de contar o que tinha acontecido. Depois, ao ser revelada a farsa da história, o atleta estaria preso até agora, sem a menor sombra de dúvidas, e já estaria esquecido em alguma “sala de massagem” da delegacia.

Não é só isso. Os “problemas pessoais” que Phelps enfrentou antes dessas Olimpíadas foram tratados com todo cuidado e atenção da imprensa, que justificou as quedas e recaídas do atleta como sendo dificuldades pessoais, depressão etc.

Em outros casos de atletas negros com problemas parecidos, o tratamento dado pela imprensa e pela justiça é o regular: criminosos que precisam ser banidos do esporte. Qualquer atleta negro com os “problemas” que Phelps teve já teria sido banido do mundo dos esportes.

Vejam o tratamento do Comitê Rio 2016 com os playboys norte-americanos: “precisamos entender que essas crianças vieram aqui para se divertir. Vamos deixá-los um pouco em paz. Às vezes, você toma decisões de que depois se arrepende. Eles foram se divertir, cometeram um erro, e a vida continua”, disse o coordenador de comunicação do comitê, Mário de Andrada. É o famoso “passar o pano”.

O francês Renaud Lavillenie, que se magoou com as vaias que recebeu ao perder do brasileiro Thiago Braz, representa a mesma política. A política do pequeno-burguês que, especialmente se for branco e de países desenvolvidos, pode e se sente no direito de fazer tudo.

O cartaz dado pela imprensa burguesa às aventuras dos americanos no Brasil, por exemplo, foi muito maior que as medalhas conquistadas pelos brasileiros (negros em sua maioria), que foram tratados como pessoas sem a menor importância, pois o importante era a equipe norte-americana, Phelps e seus “deslizes”.

É por isso, pelo tratamento da imprensa e da justiça em casos como o dos nadadores norte-americanos, que surgem as vaias para o francês. E é também por isso que o jamaicano Usain Bolt torceu para o Brasil no final do futebol olímpico depois que a torcida o reverenciou durante toda a competição. 

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