A chacina de Campinas e a ideologia da direita golpista

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A extrema-direita tem capitalizado a frustração de uma camada da sociedade e feito vítimas no País. O caso mais recente foi a chacina em que Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, matou a ex-mulher, o filho e mais nove pessoas a tiros antes de se suicidar na noite de Réveillon em Campinas, São Paulo.

Há muitas informações desencontradas e é difícil traçar um perfil do assassino ou das vítimas, particularmente a ex-esposa, Isamara Filier, de 41 anos, e o filho João Victor Filier de Araújo, de 8 anos. Os pais disputavam a guarda do menino desde 2012, quando se separavam, até que a justiça deu a guarda à mãe, que acusava o pai de ter abusado da criança.

Ao que tudo indica não se tratavam de pessoas violentas. Nada indica, inclusive, que Sidnei Ramis de Araújo fosse um homem violento. O caso está mais próximo de casos em que um indivíduo esmagado ou frustado por alguma coisa acabando explodindo e cometendo um ato extremo.

Não é correto afirmar, ainda que Sidnei fosse um militante da extrema-direita. A carta deixada antes do ocorrido, cujo conteúdo é a típica baboseira disseminada pela extrema-direita, expressa essa ideologia, mas nos revela algo mais importante. Uma sociedade em crise, com indivíduos extremamente frustados é um terreno fértil para a mentalidade direitista. A extrema-direita se aproveita dessa situação de desespero criada pelo próprio capitalismo que o impulsiona.

Nesse sentido, é preciso um alerta. O golpe e as consequências políticas, econômicas e sociais dele vão abrir o caminho para esse tipo de mentalidade, e como ficou claro no caso da chacina de Campinas, as primeiras vítimas serão as mulheres, os negros, ou seja, as classes e grupos oprimidos em geral. Setores da esquerda e do próprio movimento de mulheres procurou tratar o caso como de feminicídio, ou misoginia; as vítimas (maioria de mulheres), morreram por serem mulheres. Mas, como fica claro, o problema é muito mais profundo do que isso.

É um típico caso estimulado pela extrema-direita. Em cartas e áudios deixados pelo assassino ele chama a ex-esposa e familiares dela de “vadias”. Acusa o feminismo, a lei “vadia da penha”; em última instância acusa a esquerda. Fala da corrupção dos governantes, defende a polícia. Todos argumentos da direita que saiu às ruas no suposto “combate à corrupção”. O assassino só faltou falar que tudo é culpa do PT (embora tenha dito isso indiretamente).

O país vive uma ofensiva fascistoide e esse tipo de manifestação, machista, racista etc. encontra espaço e se desenvolve diante dos olhos de todos. Novas mortes podem ocorrer e não apenas de mulheres. Os setores mais oprimidos da sociedade, estão mais vulneráveis a esse tipo de ataque e se transformam em vítima preferencial da extrema-direita. Mulheres, negros, homossexuais, moradores de rua etc. estão todos ameaçados por justiceiros, amantes de Bolsonaro.

Pessoas como Sidnei Ramis de Araújo são facilmente capitaneadas pela ideologia fascista, de extrema-direita, pois a frustração é base psicológica fundamental da extrema direita. Uma pessoa frustrada com as instituições etc. que não reage cotidianamente e quando estoura é capaz de realizar atrocidades como essa.

O caso indica o nível de frustração que a direita está capitalizando na sociedade. Esse caso não é simplesmente ideológico, é real. A sociedade é conservadora, os casamentos são de conveniência; as pessoas estimuladas pela manipulação constante da imprensa burguesa, em uma sociedade cheia de injustiça, vão ficando agressivas, se interessam pelo discurso da extrema-direita e o resultado é uma tragédia como essa de Campinas que acabou fazendo vítima uma família inteira, particularmente mulheres, mas poderiam ter sido negros, pobres, identificados como bandidos, causadores de males sociais.

A vida das pessoas é sem propósito, cheia de frustrações e a direita usa isso para a situação política atual. O fato de o assassino culpar a esquerda, o feminismo etc., demonstra que se trata de um crime estimulado pela ideologia de extrema-direita, de figuras como Jair Bolsonaro e outros, que em tempos de crise social e política cresce e se espalha na sociedade.

O resultado é a violência e tragédias como essa que não deve ser a última a acontecer no País com a ofensiva conservadora que tende a fazer mais vítimas entre os setores oprimidos, mais vulneráveis da sociedade, como mulheres, negros, LGBTs.

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